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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

À duas mãos.

Na fase do não escrevo
A mão torna-se pesada
O estilo perde o fio
E a folha, a meada
O que antes era leve
Engrossa-se e desafina
E o poema que era fácil
Sublima.

O que antes era claro, turva
O que fora clarão, anuvia
E outra vez pousa a mão sobre a mesa
A falta de formas
Torna-se outra vez
Leveza.

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Poema do ato de poetar.
Primeira estrofe por Sam.
Segunda por Mim.
Numa conversa de MSN.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Empilhar

Empilho os Cds, os livros, as pratarias, a maleta de mão.
Empilho as panelas, os garfos, os palitos, os copos.
Empilho os cobertores, os travesseiros, as fronhas.
Empilho o sabonete, o creme-dental, a escova e a toalha de papel.
Empilho as cartas, as fotos, os poemas que fez.
Empilho a verdade. Junto a ela a mentira que você me fez acreditar.
Empilho a fé que tinha, os sorrisos que dávamos na varanda.
Empilho suas camisas brancas, seu sapato verniz, as meias que deixou no varal.
Empilho logo a TV por sobre a cadeira do quintal.
Eu afundo nas pilhas o perfume que você largou na minha estante.
E risco a chama do isqueiro com o qual fumou.

Por que quando te descobri fiz questão de me espalhar.
De espalhar seu cheiro, seu gosto, suas roupas, seus gestos e seus objetos pela casa.
Porque era a ocasião em que me dizia querer.
Tanto estar.
Que esteve em todo lugar.

Enquanto há tempo.
Pra largar,
Aposentar os usos que você fez de mim.
Enquanto há tempo pra pensar.
Na mulher que agora toma seu tato em meu lugar.

Empilho...
Empilho.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

As cartas



“As tintas que usei
Os papéis que gastei
O dicionário que esbanjei
Pra lhe dizer de flores
De sons de violões
Do desejo que tenho
De te ter recostada sobre meu ombro
Num dia de sol
No banco em frente às nossas casas.
Acabou-se tudo.
E tão melhor seria
se fosse eu a lhe bater na porta antes de ontem às seis
e não ter que lhe dizer te amo
pra ganhar o beijo que ele ganhou
o sorriso que pintou seu rosto
o abraço que perpetuou-se
a troco de uma carta que ele nunca mandou”


Mudou.
Muda,
Deixei tudo outra vez em paz.
Tudo.
Tonta,
Restou o cheiro doce
De um rapaz.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007


Pássaro preto,

Canta em mim

a dor que finjo

não ter assim



só porque não...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Aguçar...

Eu lhe descubro,
Como quem descobre moeda perdida ali.
Me lanço
Pra recuar e lhe ver lançar-se para mim.

A sua gravata, o seu sorrir.
A sua nuca
Aguça, aguça
Agora em mim.

00:06

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sinestesia

Em frente à tv.
Radio qualquer faz cheiro de MPB.
Pipoca seria?
Bife ou carne cozida?
Amanheceria. E eu ainda estaria ali.
Estático tempo corrente.
Quebrando atrás de mim.
Sigo em frente,
Adiante enxergo o vão de mim.
Pipoca seria?
E eu ainda estaria ali.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

De Poetar...



De poetar, confusa e vã,
Do carvão que aqui risca,
Em busca do perdido, desenconto.

Em linhas, rabiscos e versos.
Em lápis, anseio, amor e medo.
Infinito é! E belo!
Quão lírios em tronco de árvores.
Quão água doce de cachoeira.

Encanto tão fluxo e tenro.
Medindo ternura, amor e dor,
Aqui novamente escrevo.
E quanto mais ainda quero...
 

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